Eu não me lembro de ter tido uma sensação como essa. Mas ao acordar naquela sala clara e ver sua cara de sono sorrindo pra mim, foi... indescritível.
No meio de tantas incertezas, tantas reticências, eu vi um ponto na minha frase.
Você.
Você tirou meu ar, tirou meus pés do chão, me ensinou a voar mais alto do que eu já sabia. Você me entendeu num olhar e eu disse amém.
O sol fraco das cinco e meia da manhã entrava pelas janelas e iluminava seu rosto angelical e aquela sua carinha de "ai que sono". Mesmo recém acordada, tendo tudo pra não lembrar de muita coisa, essa cena ficou na minha cabeça e está até agora, tão viva e tão certa, assim como você dentro de mim.
Desde a primeira vez que nos vimos, com o desenrolar de tudo, do jeito como aconteceu, eu sempre quis, da maneira mais pura e inocente, deitar ao seu lado e dormir com você. Simplesmente dormir, só isso. Com a candura que eu jamais quis antes. Eu só queria estar perto e você na hora que você sonha. Eu só queria ser o seu sonho, ou estar neles.
Eu me sinto tão leve e as palavras vem como nuvens na minha cabeça.
Obrigada por tirar meus pés do chão da maneira mais doce que poderia ser.
Agora eu estou voando...
Ah, e se isso for um sonho não me acorde...
Só me acorde se você estiver me esperando com a sua cara de sono, sorrindo pra mim, dizendo "Bom dia, Amor...".
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Ah, o Amor...
Aquele sorriso levemente fechado, aquele sorriso que não é preciso nem mostrar os dentes pra ser real e sincero. Aquele olhar tão próprio, aquele jeito de olhar. Aqueles olhos tão convidativos.
Todos os motivos para fazê-la suspirar e delirar nas nuvens que ele traz consigo.
O jeito como ele segurava a mão dela no cinema, como fazia com que ela se sentisse querida e importante em qualquer lugar que estivessem.
A maneira como fala com ela, como demonstra interesse e preocupação em cada palavra, cada ação, por mais pequenina que pareça.
A paciência que tem com ela... E que paciência! Ele poderia simplesmente dizer grosserias, virar as costas, deixá-la falando sozinha, seu bruto e cortar. Mas não, ele e sua paciência de um monge, com a delicadeza de um príncipe e os cuidados de um cavalheiro não a entristecem com palavras ásperas e gritos desagradáveis.
As vezes ele parece de mentira. As vezes parece um anjo.
E ela pensa " Não, será que ele é assim mesmo? Não é possível!", e ele prova mais uma vez que é real, com seus gestos e cuidados, seus mimos e carinhos. Sim, ele é real.
É o mais próximo de um Príncipe Encantado que ela já chegou. Não que ele seja um Príncipe Encantado.
Ele tem defeitos, não é perfeito. Comete erros, tropeços. Mas e daí?
Príncipes Encantados não existem neste mundo. E se ele é o mais próximo disso, então eu diria que ela deveria erguer as mãos para o Céu.
Muito embora ele seja cobiçado um pouco a mais do que ela gostaria, mas fazer o que?
Não tem como não olhar pra ele.
E ela que pensou que fosse demorar pra se apaixonar de novo... Mas bastou ele aparecer, ele e aquela aura colorida e mágica, que tudo mudou. Paradigmas foram quebrados, regras jogadas fora, convenções apagadas e o tempo esquecido.
Não há nada mais bonito quando o silêncio e os olhares reinam entre eles.
E a sós, eles dizem sem falar uma palavra sequer, tudo que vai em seus corações e no mais profundo de suas almas...
Ah, o Amor...
Todos os motivos para fazê-la suspirar e delirar nas nuvens que ele traz consigo.
O jeito como ele segurava a mão dela no cinema, como fazia com que ela se sentisse querida e importante em qualquer lugar que estivessem.
A maneira como fala com ela, como demonstra interesse e preocupação em cada palavra, cada ação, por mais pequenina que pareça.
A paciência que tem com ela... E que paciência! Ele poderia simplesmente dizer grosserias, virar as costas, deixá-la falando sozinha, seu bruto e cortar. Mas não, ele e sua paciência de um monge, com a delicadeza de um príncipe e os cuidados de um cavalheiro não a entristecem com palavras ásperas e gritos desagradáveis.
As vezes ele parece de mentira. As vezes parece um anjo.
E ela pensa " Não, será que ele é assim mesmo? Não é possível!", e ele prova mais uma vez que é real, com seus gestos e cuidados, seus mimos e carinhos. Sim, ele é real.
É o mais próximo de um Príncipe Encantado que ela já chegou. Não que ele seja um Príncipe Encantado.
Ele tem defeitos, não é perfeito. Comete erros, tropeços. Mas e daí?
Príncipes Encantados não existem neste mundo. E se ele é o mais próximo disso, então eu diria que ela deveria erguer as mãos para o Céu.
Muito embora ele seja cobiçado um pouco a mais do que ela gostaria, mas fazer o que?
Não tem como não olhar pra ele.
E ela que pensou que fosse demorar pra se apaixonar de novo... Mas bastou ele aparecer, ele e aquela aura colorida e mágica, que tudo mudou. Paradigmas foram quebrados, regras jogadas fora, convenções apagadas e o tempo esquecido.
Não há nada mais bonito quando o silêncio e os olhares reinam entre eles.
E a sós, eles dizem sem falar uma palavra sequer, tudo que vai em seus corações e no mais profundo de suas almas...
Ah, o Amor...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Aquele olhar
Não era apenas o jeito de falar, mas como ele falava.
Não era o beijo, mas como ele beijava.
Ela sabia que bastava ele chegar e armar-se era inútil. Perdia o domínio de si, lançava-se como uma louca desvairada nos braços dele.
E ele fazia valer as loucuras dela. Sabia exatamente como deixá-la mansinha e ao mesmo tempo sabia como enlouquecê-la ainda mais.
Com aquele jeito de menino que só ele tinha ele sabia os lugares certos, o olhar certo de fazer querer a coisa errada.
Os ataques de ciúmes, as brigas, os murros que ela dava na parede, tudo aquilo ficava esquecido num canto do quarto junto com as roupas. E o tempo não existia.
Mas ela não era a única a perder as estribeiras. Ele sabia, não existia outra como ela. Com aquele jeito esbaforido de querer saber tudo, de perguntar o tempo todo, de garimpar a vida dele, ele sabia que o silêncio dela vinha com sabor de vinho tinto e meia luz.
Não precisavam de títulos, enfeites, de nada. Envolviam-se por vontade própria, sem obrigação de nada. Só pelo simples fato de quererem, ardente e intensamente, um ao outro.
Eram testemunhas de si mesmos, e a maior prova disso tudo se dava num olhar. Quando o silêncio era a magnânimo, dava pra ouvir as batidas aceleradas dos corações e eles entravam um no mundo do outro por meio daquele olhar. Aquele que passeava o lado mais intimista de cada um, sem dizer nada, sem perguntar, questionar, ou afirmar.
Não era um olhar qualquer, não é o olhar de quem se olha quando se gosta, apenas.
É o olhar profundo, que quebra todas as barreiras, que é mal educado com as convenções e ao mesmo tempo gentil e sutil. Que entra devagar, mas ao mesmo tempo tira tudo do lugar, transforma.
O olhar de quem se gosta é pouco diante deste. Porque este é o olhar de quem se entende, de quem se quer, de quem sente. O olhar de quem se reconhece dentro do outro, e ao mesmo tempo aceita e adora as diferenças e os defeitos.
Um olhar mais íntimo e calmo. Tranquilo como uma tempestade, envolvente como o canto de uma sereia.
Um olhar....
Aquele olhar....
Não era o beijo, mas como ele beijava.
Ela sabia que bastava ele chegar e armar-se era inútil. Perdia o domínio de si, lançava-se como uma louca desvairada nos braços dele.
E ele fazia valer as loucuras dela. Sabia exatamente como deixá-la mansinha e ao mesmo tempo sabia como enlouquecê-la ainda mais.
Com aquele jeito de menino que só ele tinha ele sabia os lugares certos, o olhar certo de fazer querer a coisa errada.
Os ataques de ciúmes, as brigas, os murros que ela dava na parede, tudo aquilo ficava esquecido num canto do quarto junto com as roupas. E o tempo não existia.
Mas ela não era a única a perder as estribeiras. Ele sabia, não existia outra como ela. Com aquele jeito esbaforido de querer saber tudo, de perguntar o tempo todo, de garimpar a vida dele, ele sabia que o silêncio dela vinha com sabor de vinho tinto e meia luz.
Não precisavam de títulos, enfeites, de nada. Envolviam-se por vontade própria, sem obrigação de nada. Só pelo simples fato de quererem, ardente e intensamente, um ao outro.
Eram testemunhas de si mesmos, e a maior prova disso tudo se dava num olhar. Quando o silêncio era a magnânimo, dava pra ouvir as batidas aceleradas dos corações e eles entravam um no mundo do outro por meio daquele olhar. Aquele que passeava o lado mais intimista de cada um, sem dizer nada, sem perguntar, questionar, ou afirmar.
Não era um olhar qualquer, não é o olhar de quem se olha quando se gosta, apenas.
É o olhar profundo, que quebra todas as barreiras, que é mal educado com as convenções e ao mesmo tempo gentil e sutil. Que entra devagar, mas ao mesmo tempo tira tudo do lugar, transforma.
O olhar de quem se gosta é pouco diante deste. Porque este é o olhar de quem se entende, de quem se quer, de quem sente. O olhar de quem se reconhece dentro do outro, e ao mesmo tempo aceita e adora as diferenças e os defeitos.
Um olhar mais íntimo e calmo. Tranquilo como uma tempestade, envolvente como o canto de uma sereia.
Um olhar....
Aquele olhar....
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Flores de Elis
Elis estava esperando no sofá de casa quando ele tocou a campainha. "Espero não me arrepender", pensou ela enquanto trancava a porta da sala. Ele estava sorrindo, esperando por ela.
Ele abriu a porta do carro e sorriu.
- Garanto que você não vai se arrepender.
Elis sorriu de volta. "Parece que ele lê meus pensamentos", e riu sozinha.
- Você está linda, Elis.
- Obrigada.
As ruas da cidade estavam movimentadas e decoradas para o Natal. Apesar da luz do sol ainda dominar, Elis ficava imaginando como seriam as avenidas iluminadas a noite.
A rota que ele fez causou certa estranheza em Elis.
- Mas a casa não era pra lá?
- Eu não disse que você teria uma surpresa?
O coração de Elis acelerou. O que ele estaria aprontando?
Desde a última briga, Elis havia recuado um pouco e ele já vinha com surpresas?
Mas ele tinha olhos tão doces que não deveria ser nada de ruim. Os olhos, o sorriso, todo o sentimento e a maneira como ele se portava diante dela fizeram com que Elis desse a ele e a si mesma uma segunda chance de ser feliz.
Mesmo assim, Elis era muito desconfiada e começou a não gostar da "surpresa". E se ele estivesse aprontando?
Elis fechou a cara o resto do caminho mas ele continuava sorrindo.
Foi então que entraram numa rua cheia de casas tão bonitinhas e bem arrumadas. Jardins agradáveis, caixinhas do correio meigas, parecia de mentira.
Elis estava tão entretida com a meiguice daquela rua que mal viu o carro parar.
Ele desceu e abriu a porta pra ela.
- Chegamos.
- Chegamos aonde?
- Na nossa casa!
Elis desceu do carro sem tomar muito sentido do que estava acontecendo. Na frente da casa havia um jardim lindo e decorado. Borboletas voavam por lá. Dois degraus e Elis estava na porta da casa. Ele sorriu.
- Opa, está trancada.
Quando ele abriu, Elis mal podia acreditar no que seus olhos viam, a casa era linda e estava toda decorada com flores por todas as partes.
Elis estava extasiada, não podia falar.
Ela andou pela sala, pela cozinha, pela sala de jantar, os quartos, banheiros, em todas os lugares haviam flores das mais belas e diversas.
Ela voltou e ficou parada diante dele, com as bochechas doendo de tanto sorrir.
- Essa aqui é a ...
- Nossa casa, Elis. Essa é a nossa nova casa, com flores novas pra receber você, só você!
Elis abraçou-o com toda força que tinha, mas logo as perdeu, foi invadida por uma enxurrada de lágrimas.
- Você está chorando, Elis?
- Como, por que? Olha pra essa casa, ela é novinha, olhe esses móveis. Está tudo novo! E essas flores, o jardim da frente... é quase um conto de fadas!
Ele segurou na cintura de Elis e olhou bem nos olhos dela.
- Depois que você foi embora por causa das flores eu entendi que não fazia mais sentido mantê-las lá. Elas já fizeram parte da minha vida, mas agora já estão murchas. Agora é hora de algo novo... Quando você chegou Elis, eu me assustei com a sua falta de disciplina, sua sinceridade e sua impulsividade, mas logo eu vi que eu e você... Você sabe Elis, eu não sou muito bom com palavras, eu não fiz por mal. Mas agora eu quero que você se sinta em casa, na sua casa, na nossa casa. Essas flores são novas, são até "fresquinhas" eu diria, e elas representam tudo isso que está acontecendo, elas representam você Elis! Me perdoe por não ter olhado pra você, por não ter percebido que você só queria meu bem, que esteve ao meu lado, nunca quis magoar você. Eu só queria fazer as coisas da melhor maneira possível...
- Eu sei disso e por isso aceitei o seu convite de hoje... E quer saber, teria sido uma idiota se não tivesse aceitado! Não se preocupe, já passou... Agora somos só eu e você e as nossas flores!
Ele e Elis ficaram ali abraçados por mais alguns minutos, envolvidos pela felicidade, pela cumplicidade, pelo amor e pelo aroma sutil e delicado daquelas flores tão belas que rodeavam aquela atmosfera colorida que se formava. Flores suaves, flores fortes, rosas, violetas, camélias, bromélias, tulipas, e tantas outras que agora testemunhavam algo novo... Flores rosas, azuis, vermelhas, roxinhas e tão lindas... Flores...
Flores de Elis!
Racionalizando, desacelerando...
Eu nunca acreditei muito nessa história de razão. Eu sempre agi com o meu coração, porque foi ele que me levou nos lugares certos a hora certa.
Racionalizar não fazia parte do meu vocabulário. Mas tem horas nas nossas vidas que não basta o sorriso nem os pés fora de chão. Ter os pés fora do chão quando se está na corda bamba não é bom.
Dói racionalizar. Isso tudo que aconteceu foi tão natural, eu simplesmente deixei fluir e foi mágico.
Mas agora eu me vejo rodeada de dívidas que não são minhas, são suas. E eu não vou pagá-las por você.
Quando eu prometi pra mim mesma que só iria me envolver assim de novo se a recíproca fosse verdadeira eu falava sério, não vou desistir dessa ideia.
Pode ser que eu tenha demorado demais pra perceber isso, mas agora eu pisei no freio.
Não, isso não é uma cobrança de atitude nem nada, é só uma reação a sua ação.
Você pode até achar que eu sou incompreensiva, mas é justamente por tentar compreender que eu estou desacelerando.
É horrível me forçar a fazer isso, mas você não me deixa outra alternativa.
Eu já tinha a água pra cima do umbigo e você ainda está com medo de molhar os pés. Então, eu vou sair e vou ficar no mesmo lugar que você. Deixando a água bater nos meus pés, muito embora eu já tenha me molhado bem mais que você nessa história.
Eu vou tomar cuidado com o meu coração.
Eu posso ter lhe dado ele numa corda mas ele ainda é meu. E se você não toma os devidos cuidados, tomo eu.
Pisei no freio, derrapei na estrada, capotei uma série de certezas e acidentei as esperanças. Quando eu te vi pelo retrovisor, eu entendi que eu estava bem mais acelerada. Talvez, porque você parecia tão...diferente.
E você não deixa de ser, mas atrás de tudo isso havia uma série de cartas mofadas e vinhos estragados que eu não quero pra mim. Eu pulei de um barco por muito menos que isso. E se eu ainda não pulei do seu barco é porque eu não consigo dar as costas pra você. Não consigo, não posso e não quero.
Eu só quero andar no mesmo ritmo que você, ou se você mudar de pista, eu também mudo o rumo do meu caminho.
Não me leve a mal, mas eu desacelerei porque eu estava me vendo capotando o carro e me machucando feio. E alguém precisa cuidar de mim...
Não ache que eu goste menos de você, eu até queria que isso fosse verdade, mas não é.
Só estou racionalizando um pouco, desacelerando pra não me machucar...
Racionalizar não fazia parte do meu vocabulário. Mas tem horas nas nossas vidas que não basta o sorriso nem os pés fora de chão. Ter os pés fora do chão quando se está na corda bamba não é bom.
Dói racionalizar. Isso tudo que aconteceu foi tão natural, eu simplesmente deixei fluir e foi mágico.
Mas agora eu me vejo rodeada de dívidas que não são minhas, são suas. E eu não vou pagá-las por você.
Quando eu prometi pra mim mesma que só iria me envolver assim de novo se a recíproca fosse verdadeira eu falava sério, não vou desistir dessa ideia.
Pode ser que eu tenha demorado demais pra perceber isso, mas agora eu pisei no freio.
Não, isso não é uma cobrança de atitude nem nada, é só uma reação a sua ação.
Você pode até achar que eu sou incompreensiva, mas é justamente por tentar compreender que eu estou desacelerando.
É horrível me forçar a fazer isso, mas você não me deixa outra alternativa.
Eu já tinha a água pra cima do umbigo e você ainda está com medo de molhar os pés. Então, eu vou sair e vou ficar no mesmo lugar que você. Deixando a água bater nos meus pés, muito embora eu já tenha me molhado bem mais que você nessa história.
Eu vou tomar cuidado com o meu coração.
Eu posso ter lhe dado ele numa corda mas ele ainda é meu. E se você não toma os devidos cuidados, tomo eu.
Pisei no freio, derrapei na estrada, capotei uma série de certezas e acidentei as esperanças. Quando eu te vi pelo retrovisor, eu entendi que eu estava bem mais acelerada. Talvez, porque você parecia tão...diferente.
E você não deixa de ser, mas atrás de tudo isso havia uma série de cartas mofadas e vinhos estragados que eu não quero pra mim. Eu pulei de um barco por muito menos que isso. E se eu ainda não pulei do seu barco é porque eu não consigo dar as costas pra você. Não consigo, não posso e não quero.
Eu só quero andar no mesmo ritmo que você, ou se você mudar de pista, eu também mudo o rumo do meu caminho.
Não me leve a mal, mas eu desacelerei porque eu estava me vendo capotando o carro e me machucando feio. E alguém precisa cuidar de mim...
Não ache que eu goste menos de você, eu até queria que isso fosse verdade, mas não é.
Só estou racionalizando um pouco, desacelerando pra não me machucar...
domingo, 19 de dezembro de 2010
De novo
Eu e essa minha mania cretina de ser passional, emotiva, apaixonada.
Por que não sou mais contida? Talvez tivesse poupado tanta coisa se eu fosse assim.
Eu deveria saber ir mais devagar, ser menos transparente talvez, não demonstrar tanto que já estou na sua.
Eu queria ser, de certa forma, até mais fria.
Talvez, se eu fosse assim, eu me decepcionaria menos. (?)
Queria saber não sorrir tanto assim quando estou apaixonada e nem me apaixonar tão fácil...
Mas de que adianta ficar me lamentando da minha impulsividade crônica e da minha eterna vontade de me apaixonar de novo, de novo, de novo e de novo?
De que eu adianta eu querer ser menos se eu só sei ser mais? Eu não sei ser metade, eu sou inteira e toda.
E só os tolos apaixonados vivem essas emoções que eu vivo. Só os poetas, os boêmios, só os que amam demais sabem a delícia da dor que se sente.
E se não for nada disso, se eu ver que me joguei demais, que me machuquei, tudo bem. Toda ferida cicatriza, eu posso chorar até um pouco mais... Mas eu sei, eu renasço das minhas cinzas, eu sempre sobrevivo e vivo pra amar de novo... De novo, de novo e de novo.
Por que não sou mais contida? Talvez tivesse poupado tanta coisa se eu fosse assim.
Eu deveria saber ir mais devagar, ser menos transparente talvez, não demonstrar tanto que já estou na sua.
Eu queria ser, de certa forma, até mais fria.
Talvez, se eu fosse assim, eu me decepcionaria menos. (?)
Queria saber não sorrir tanto assim quando estou apaixonada e nem me apaixonar tão fácil...
Mas de que adianta ficar me lamentando da minha impulsividade crônica e da minha eterna vontade de me apaixonar de novo, de novo, de novo e de novo?
De que eu adianta eu querer ser menos se eu só sei ser mais? Eu não sei ser metade, eu sou inteira e toda.
E só os tolos apaixonados vivem essas emoções que eu vivo. Só os poetas, os boêmios, só os que amam demais sabem a delícia da dor que se sente.
E se não for nada disso, se eu ver que me joguei demais, que me machuquei, tudo bem. Toda ferida cicatriza, eu posso chorar até um pouco mais... Mas eu sei, eu renasço das minhas cinzas, eu sempre sobrevivo e vivo pra amar de novo... De novo, de novo e de novo.
Flores murchas
Elis entrou correndo, mais depressa que devia. Abriu a porta de sopetão. Aquela casa lhe parecia tão amável, ela queria morar lá. Era tudo lindo e bem arrumado. Muito zelo, todos os móveis eram impecáveis. Perfeito!
Mas Elis já devia saber que nada é perfeito. E quando há perfeição demais é porque alguma coisa está errada.
Elis estava tão esbaforida com a casa que num primeiro momento não sentiu nem o odor que havia lá. Aquela casa era o que ela queria e ele tinha escolhido a melhor possível para que vivessem juntos. O que poderia dar errado?
Mas o feeling de Elis é uma coisa de outro mundo, muito aguçado. Um sexto sentido que vou te contar. Então Elis foi até a sala de visita e lá ela tomou o primeiro balde de água fria.
Flores murchas e velhas. Tão murchas que já estavam escuras e cheiravam mal. Tinham cheiro de fim.
Mas o que aquelas malditas flores ainda faziam lá?
Elis bufou, respirou fundo. A vontade que ela tinha era de jogar aquele maldito vaso com aquelas flores murchas na parede e depois pisotear todos os cacos e as pétalas envelhecidas e fétidas.
Mas não, se aquelas flores ainda estavam lá, fedendo é porque não quiseram tirá-las de lá. E foi isso que enraiveceu Elis. Ela andou pelo resto da casa e percebeu estava rodeada de flores murchas.
O sangue dela subiu. Ela desceu as escadas até a sala de visita. Viu aquele primeiro faso fatídico. Os olhos marejaram, com toda sua raiva ela pegou o vaso e o fez voar na parede e gritou alto:
- Por que?
Pisou nos cacos com toda força. O choro deixou sua saliva mais amarga e ela engoliu como uma pedra.
Estava tudo perfeito, estava tudo tão limpo e claro...
O céu azul de Elis se fechou num dia cinzento e triste.
Elis se deixou desfalecer no sofá. Largada, ela chorava com a decepção de si mesma. Deveria ter sido mais racional, deveria não ter entrado assim, nem ter combinado de juntar as escovas com ele. Não deveria ter dado seu coração assim, numa bandeja. Elis enfiou um peito na faca dele sem medir as consequências que isso traria. O peito dóia, o sangue descia pela blusa de Elis, mas edaí? O sorriso dele era tão mais bonito de perto.
Ele abriu a porta sorrindo, mas o sorriso durou uma fração de segundo quando ele viu aquela cena. Não! O que havia acontecido?
Aproximou-se com toda sua candura e seu cuidado angelical.
-Elis, o que houve?
Ela fechou os olhos e fingiu não vê-lo.
- Elis, fale comigo!- disse ele segurando no braço dele com carinho e preocupação.
- Sai daqui... - disse Elis baixinho.
- Elis, o que foi?
- SAI DAQUI!
- Calma, Elis, o que houve, por que esse vaso está quebrado? Você se machucou?
- Machuquei! Machuquei sim e bem feio ainda. Me machuquei quando acreditei no que os seus ternos olhos azuis me disseram! Machuquei quando entrei de cabeça nessa, porque acreditei que você era diferente! Machuquei quando lhe dei meu coração numa corda e você... Ah, não me olhe com esses olhos, você sabe do que eu estou falando! Essas malditas flores murchas, o que elas ainda fazem aqui? Porque você não me disse desde o começo que haviam flores murchas na sua casa? Por que você não me disse pra ir mais devagar, por que você deixou que eu me entregasse assim, por que você me trouxe aqui? Onde você quer chegar assim? Você não espera que eu conviva com as suas flores murchas e tudo que elas representam, não é? Por que você me trouxe aqui? Por que?
- Acalme-se, Elis, eu posso explicar. Eu lhe contei um dia sobre as flores, mas você sabe, não é assim, não posso sair pisoteando as pétalas e tacando os vasos na parede assim como você. Elas sairão... Eu as deixei aqui porque elas ainda são flores.
- São flores murchas! MURCHAS! Você está vendo alguma vida nelas? Por que se estiver eu deixo você aqui com seu cemitério de flores e vou embora de uma vez por todas! Não pode, porque você não quer! Você quer guardá-las, porque você se sente endividado com as suas malditas flores, mas elas estão murchas! Então quer saber, eu quebrei um vaso, mas tem uma casa toda delas pra você! Eu não vou conviver com elas, se elas não vão sair daqui, saio eu!
Elis levantou-se e ele segurou-a pelo braço.
- Não, Elis, não vá.
- Me solta!
Mas Elis era uma idiota e se lançou nos braços dele chorando.
- Você não devia ter me deixado entrar aqui com essas flores... Por que você deixou?
- Elis, eu não poderia ter segurado você, eu queria você aqui também, mas compreenda!
- Não, não dá! Eu posso até tentar entender, mas compreender já é demais! Se fosse o contrário?Você não sabe como é estar se sentindo numa corda bamba enquanto você me diz que o chão é firme. Eu não posso viver assim...
Elis pegou sua bolsa, suas sacolas cheias de coisinhas pra enfeitar a ex casa nova, ignorou as tentativas dele de explicação e diálogo. Elis era impulsiva e era assim que ela agiria.
Antes de entrar no carro ela virou -se pra ele:
- Não volto pra essa casa nem pra sua vida enquanto essas malditas flores e esses vasos cafonas não estiverem no lugar deles: no lixo! Mas se você quiser ficar aí com elas, passar bem! Se você decidir assim, lembre-se de me mandar uma coroa de flores vivas porque eu morri pra você! Fique aí, devendo pra suas flores malditas! A escolha é sua! E eu não estou pressionando nada, só acho justo eu ter o direito de me manifestar sobre as suas flores mortas, pelo menos!
Ele não disse nada e antes que dissesse, Elis entrou no carro e saiu.
Flores murchas? Não na mesma casa que Elis!
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