segunda-feira, 18 de março de 2013

Conselho para Clarice

"Clarice, tem uma série de coisas que eu gostaria de lhe escrever nesse dia frio. Lembro de como você se sentia absolutamente confortada nessa estação, com dias frios, o nariz vermelho e uma calma aparente. Você dizia que o frio protegia seu coração. O verão nos expõe demais, Clarice. 
Fico pensando como lhe dizer todas essas coisas, queria dizer que tudo vai dar certo, que será dessa vez, que vamos comer bolo juntas, comprar guardanapos e rir tanto depois. Mas esses inícios, essas expectativas, oh, Clarice, isso fere tanto, não sabemos nunca como agir.
Não queria lhe ditar regras, mas como conheço seu espírito, seus olhos claros e as olheiras que você disfarça com base, gostaria de lhe dizer algumas coisas. Não queira me matar, leia até o fim:
Seja paciente. Seja agradável. Seja gentil. Seja compreensiva.
Esteja bonita. Esteja linda. Esteja disposta. 
Seja inteligente, mas não muito. 
Seja inocente, mas nem tanto.
Segure as pontas, não chore.
Segura o choro, não desaponte.
Segura o medo, não fuja.
Segure a fuga, não tema.
Feche a boca, coma menos.
Perca a barriga, perca o pudor, mas nem tanto.
Nem tão magra, nem tão sem vergonha.
Não escreva, guarde as palavras.
Não diga tudo, diga só o que for preciso.
Não precise, não peça, não reclame.
Não cobre, não cobre e não cobre.
Se cubra, se proteja, se entregue.
Dê amor, mas não dê o coração.
Dê, amor e o coração.
E quando tudo isso parecer muito contraditório
E quando nada disso mais fizer sentido pra você
Esqueça tudo isso, esqueça todas as regras
Esqueça todos os manuais que dizem como devemos ser
Como devemos agir, em quanto tempo devemos dizer,
dar, amar, falar, sorrir, segurar, soltar, compreender, assumir.
Esqueça tudo, não seja nada disso
Seja você mesma e seja o que Deus quiser.
Te amo, Mana."


Nenhum comentário:

Postar um comentário